sábado, setembro 09, 2006

De que vale ter e não sentir.


Foto de Miguel Delgado e Silva

De que vale ter e não sentir,
É como da desgraça apenas rir,
É ser um eterno insatisfeito,
E direito, o gozo sem efeito.

Como olhos que olham o escuro,
Sem passado presente e futuro,
Ter o sol e não ter sua sombra,
Querer no escuro ver a penumbra.

É ter os pulmões gritando por ar,
E estar presente no fundo do mar,
Viver em guerra estando em paz,
Sem esperança nem o que isso traz.

É ter um aperto e não ter peito,
É viver, sempre sempre desfeito.
É como viver no desinteresse,
Como se mistérios não houvesse.

3 comentários:

Paula Raposo disse...

Uma verdade. De que vale ter sem sentir?! O sentir é o começo de tudo, sem isso, nada se tem. Concordo.

sendyourlove disse...

Li e senti...
Antes sentir que ter.
Sentir é viver, é ser.
Ser, sempre...ter não é essencial.

Thinker disse...

simplesmente inquietante esta tua expressão do sentir....

Parabéns :)

Abraço