quinta-feira, maio 25, 2006

Ler-te

Deixa-me ler teus pensamentos,
Que teu corpo seja como pergaminho,
Para que nesses breves momentos,
Eu te leia com imenso carinho.

Do movimento estranho que revelas,
Quero conquistar o significado,
Quero dessa leitura, sequelas,
Soletrar o teu corpo endiabrado.

Os teus gestos são poesia,
Declamada em cada rodopio,
E com toda a fantasia,
Esse teu livro copio.

Meu coração avança na cadência,
O tempo recua em cedência,
Quando leio tua correspondência,
Renasce toda a minha existência.

Que sotaque é esse no teu jogo?
Que me faz ir perigosamente,
Ao encontro do fatal epílogo,
Que queria adiar eternamente.

E de repente, salto em frente,
Numa viagem repentina, dormente,
Meu olhar não mais se encontra,
Teu livro li secretamente.



Foto de:
Sascha Hüttenhain

3 comentários:

solfirmino disse...

Olá, sua página é de muito bom gosto.
Abraço

graffiti disse...

Gostei. Fotografias magnificas. Poemas e textos interessantes. Talves hipotese de partilhar escritas assimétricas.
Convite : http://graffiti55.blogspot.com/

Binoc disse...

Curti o Nat King Cole, fez-me lembrar uma cena do filme "Balada da praia dos cães".
obrigado pelo link. [[[[]]]]