domingo, julho 09, 2006

Apenas por um momento - II

Se por um momento eu tivesse,
Um controlo remoto universal,
Meu infortúnio seria benesse,
E toda a vida circunstancial.

Poder parar no momento certo,
Fragmentos preciosos de vida,
Os bons momentos a descoberto,
Os maus jamais seriam ferida.

Andar para trás quando errado,
E para frente se não interessa,
Como seria bom ter esse aliado.

Aperto Pausa quando é frenesim,
Ou no Standby se cansado ficar,
De volta ao Play, se no camarim.




Foto de:

Redjar

sábado, julho 08, 2006

Louco por ti

Testando sempre minha lealdade,
Meu corpo é teu, e minha vontade.
O desejo que me invadas com amor,
Nas línguas envolvidas com furor.

Minha fome por ti, é insaciável,
O teu sexo por mim muito rogado,
Minha sede por ti inimaginável,
O meu desejo em ti enclausurado.

Escorrendo em prazer ilimitado,
Anseia minha alma sempre ardente,
Nossos corpos em delírio acoplado,
Explodem num orgasmo plenamente.

Meu sangue por ti corre louco,
Minha alma por ti se incendeia.



Foto de:
BJÖRN OLDSEN

sexta-feira, julho 07, 2006

Amor sem dor

Existe algo maior que o amor?
Algo tão grandioso sem essa dor?
Junto ao abismo tão intensamente,
Me perguntara idealisticamente.

Misericordiosissimamente,
O vento me sussurrava assim.
Maior que o amor contundente,
Só o amor sem grande frenesim.

Esse amor na complementaridade,
Com naturalidade por aí existe,
Graciosamente vence a brutalidade,
Muito raramente o deixará triste.

Olha, e descobrirás na amizade,
Esse 'amor', essa grande verdade.



Foto de:
Rui Bonito

terça-feira, julho 04, 2006

Bela Fenda...

Alguêm que não Eu um dia disse...
"O homem leva nove meses a tentar sair de um buraquinho, e passa o resto da vida a tentar entrar de novo nele."
E por concordar, deixo aqui meu testemunho...


Por sua grandiosa nobreza,
Por ser a Fonte de vida,
Eu agradeço concerteza,
Em mim ter sido envolvida.

Essa bela Gruta da Natureza,
Esse belo Espaço de lazer,
Transforma o mole em dureza,
Sendo a maior fonte de prazer.

Essa bela Fenda sempre honrada,
Pois ninguêm com seu labuto,
Tenha ocupado muito ou nada,
Raramente escapa sem tributo.

Aqueles que não o têm fiel,
Podem sempre se prostar,
Provando seu maravilhoso mel,
Não terão nada a reclamar.

Para muitos pequeno jardim,
De preferência nunca plantado,
É mais procurado que Marfim,
Pois o primeiro não é superado.

A História nunca encerra,
Nessa bela e vistosa covinha,
Seja de Rainha ou da vizinha,
Ainda é causa de muita guerra.

Seja de amor ou de apaixonado,
É para muitos um fruto endiabrado,
Seja de pé, de quatro ou sentado,
Todos querem o seu bem plantado.



Foto de:
X. Maya

Apenas por um momento

Sim, apenas por um momento,
Se a coragem tivesse tido,
De revelar meu sentimento,
Nosso amor teria vivido.

Sim, apenas por um momento,
Se pudesse atrás voltar,
A vida teria novo alento,
Por meu amor se manifestar.

Sim, apenas por um momento,
Pudesse esquecer este lamento,
Pudesse viver sem sofrimento,
Nosso amor teria um rebento.

Sim, apenas por um momento,
Queria que tudo fosse correcto,
Pudesse ao amor fazer o juramento,
Para o futuro não percorrer incerto.

Sim, apenas por um momento,
Eu ter-te-ia então amado,
E contigo elevar-me-ia decerto,
Meu grande amor imaginado.




Foto de:
M. Lima

domingo, julho 02, 2006

Amar-te noite dentro

Puxo-te contra mim, a noite dorme,
Lindos morangos coroam teus seios,
Encontram-se rígidos e têm fome,
Minha boca os alimenta sem receios.

Quem será prisioneiro de alguém,
Nas suaves carícias já embriagadas,
Onde tua mão sequiosa vai mais além
E tua boca se perde em encruzilhadas.

Tudo me causa um voluptuoso frémito,
O clarão de prazer acorda a noite,
E na estreita senda de prazer permito,
Que como tu também a noite se afoite.

Minha coxa entre as tuas a certa altura,
Sinto-te agitar agora com mais violência,
Cedes-me passagem cercando minha cintura,
A noite testemunha nossa existência.

Fazes atingir o último grau de prazer,
E eu não quero parar sem te satisfazer,
Nem que de novo a noite tenha de refazer,
Só para te ver contorcer e ouvir gemer.





Foto de:
Gavin O'Neill

terça-feira, junho 27, 2006

Mulher

Ah... Coisa ruim, e tão gostosa,
Minha desgraça tão preciosa,
Loucura total, vil prosa,
Ilusão constante e carinhosa.

A dor que me fazes sentir,
O desejo proíbido do teu corpo,
És a tentação que finge vir,
És a promessa que não encontro.

Luto com ondas de rimas,
Abismo temperado de sal dor,
O Atlântico, mar de lágrimas,
Não condimenta o nosso amor.

Provocado pela ânsia.
Mergulho de atrevimento,
Mas afogado pela distância,
Que tanto provoca o tormento.

Como desejo atravessar,
Para nadar em teu corpo,
Mergulhar-te para amar
Animado por teu sopro.

Ah... Esse corpo em movimento,
Como Sonho em nadar assim,
Vem mulher, e por esse momento,
Traz o desejo e o frenesim.



Foto de:
gavin o'neill

sábado, junho 17, 2006

Memórias

Onde se encontra a minha lembrança,
Dos dias felizes em que era criança,
Onde terei escondido essa herança,
Guardada para dias de pouca esperança.

Actos tresloucados sem peso e medida,
De tórridas noites de juventude,
Desse sabor de mulheres com atitude,
Das aventuras audazes mil vezes repetida.

Pensamento solto que vai e volta,
Vai e volta como um turbilhão.
Fazendo do silêncio uma revolta,
A revolta que dilacera meu coração.

O silêncio gemendo infinitivamente,
Transformando o pensamento em dor,
Das artérias o sangue ardentemente,
Vai queimando as memórias de cor.



Foto de:
Carguin

quinta-feira, junho 08, 2006

Paz ou 666

Doce melodia que me invade os sentidos,
Ondas que me sustêm e que me deixam ver,
A paz que este mundo deveria merecidos,
Mas a cegueira do homem a fez perecer.

Algo de grave outrora foi cometido?
E a prestações com sangue pagamos?
Para este castigo ter sem sentido?
Diz-nos Deus, onde foi que erramos?

Não, não quero ler a partir do homem,
De meu semelhante sei das campanhas,
Seus escritos à muito que reprimem,
Conheço suas manhas e artimanhas.

Se assim somos desde a aurora,
Destinados a morar nas entranhas,
Enquanto esse destino demora,
Cometemos nossas belas façanhas.

Se à Tua imagem e semelhança germinados,
Teus genes em nós disseminados,
Teus mistérios em nós desgovernados,
À partida somos pobres vaticinados.

Então porque te cantam a salvação?
Será que o teu filho morreu em vão?



Foto de:
Piet den Blanken

sábado, junho 03, 2006

Nasci...

O dia Nasce e eu também, até corei,
A luz dividia o dia quando acordei,
De olhos esbugalhados levantei,
E sobre a falsa chuva me prostrei.

E pensei...

Trinta e oito vezes espreitei,
Girando em torno do Astro Rei,
Na dança dos dias encontrei,
A Terra e Mar que beijei.

Meio caminho esquecido,
Meio caminho por encontrar,
Meio caminho vivido,
outro meio por amar.

É todo um passado exilado,
É todo um futuro enevoado,
É a marca de um passo dado,
E outro passo destoado.

Pela estrada da vida vou continuar,
Até Deus Todo Poderoso consentir,
Que me dê força para não desanimar,
E toda a coragem para me divertir.



Foto de:
Qoucher's